segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Consumo de álcool na gravidez


Ingerir bebidas alcoólicas durante a gravidez é altamente perigoso tanto para a mãe quanto para o feto, principalmente para este  porque ocorre uma troca de nutrientes entre o feto e a mãe através da placenta.  A gestante elimina duas vezes mais rápido o álcool do sangue que o bebê porque seus orgãos já estão formados e as enzimas já estão prontas para agir, isso força o feto a realizar tarefas que ainda não esta pronto para realizar. O fígado do bebê ainda está em formação e demora duas vezes mais para metabolizar o álcool, logo este permanece no organismo do feto por muito mais tempo do que no organismo da gestante, ocasionando problemas na sua formação e no desenvolvimento de outros órgãos.
Algumas consequências do consumo de álcool durante a gravidez são: aborto espontâneo, nascimento prematuro, problemas de comportamento, falta de crescimento, rosto desfigurado e retardo mental. Essas consequências dependem da quantidade de álcool ingerido e do período da gravidez em que foi consumido. Às vezes as consequências do contato do feto com o álcool podem aparecer mais tarde como: memória fraca, falta de concentração, raciocínio lento e dificuldade de aprendizagem. As doenças mais comuns são:

è Síndrome do álcoolismo fetal (SAF): consequência que ocorre no feto por consumo de álcool durante a gravidez e é irreversível. Suas características são: retardado no crescimento intra uterino, retardo no desenvolvimento neuro-psicomotor e intelectual, distúrbios do comportamento(como facilidade para se irritar e hiperatividade na infância), microcefalia, má formação do crânio, pés tortos, má formação cardíaca, maior vulnerabilidade a infecções e maior taxa de mortalidade neonatal. Segundo a OMS, a cada ano, 12.000 bebês no mundo nascem com a síndrome fetal do álcool.

*Os critérios mínimos para o diagnóstico da SAF são:
1.retardo de crescimento pré ou pós-natal;
2.envolvimento do sistema nervoso, atraso do desenvolvimento neuropsicomotor (DNPM) e alteração do QI e do comportamento;
3.dismorfismo facial.
 Pelo menos dois sinais dos apresentados acima devem estar presentes: microcefalia, microftalmia e/ou fissura palpebral pequena, filtro nasal hipoplásico com lábio superior fino e hipoplasia de maxilar.

Todos já ouvimos falar em substância branca do cérebro do bebê, e é essa subtancia que é super sensível a ingestão de álcool feita pela mãe do feto, a substância branca é formada de fibras nervosas e é atravez dessas fibras que as informações circulam no sistema nervoso central. Quando a mãe consome álcool durante a gravidez a formação da substância branca nos lobos frontal e occipital do cérebro, podem ser alteradas.
Sabe-se que o álcool passa para o bebê atravez da placenta e também que o metabolismo do feto é mais lento porque ainda esta em formação, então sua metabolização e eliminação é mais lenta que no corpo da mãe, sendo assim o feto permanece com a concetração de álcool no seu corpo por muito mais tempo que a da mãe, afetando o seu desenvolvimento. O líquido amniótico fica cheio de álcool não-modificado e acetaldeído, isso porque as enzimas não estão prontas para conseguir metabolizá-lo. Pesquisas mostraram que o álcool provoca a criação/surgimento de radicais livres de oxigênio, que modificam proteínas e lipídeos da célula, o que aumenta a apoptose, prejudica a organogênese e inibe a formação de ácido retinóico que é responsavel pelo desenvolvimento embrionário. O acetaldeído e o álcool tem efeito sobre o crescimento celular. Acredita-se também que o álcool possa levar falta de oxigênio para o feto e retardo do crescimento intra-uterino porque provoca uma contrição  dos vasos sanguineos.
Não se sabe a quantidade que é permitida e que não afete a formação do feto, por isso, médicos recomendam  que as mães nao consumam nenhum álcool durante a gravidez e a amamentação.
Os orgãos do sistema nervoso central ainda estão em formação e como álcool chega rapidamente ao cérebro, pela corrente sanguínea,  os pesquisadores acham que a síndrome alcoólica fetal vem dessa má formação do sistema nervoso central. Observe cada  parte do sistema nervoso central, que é composta com encéfalo e medula espinhal.
O encéfalo se divide em: cérebro, diencefálo, cerebelo e bulbo.
Bulbo ou medula oblonga: está em contato direto com a medula espinhal. È responsável pelas funções vitais como pressão sanguinea,  batimentos cardiacos. È considerado o centro cardio-respiratório. Regula as funções automáticas e atividades reflexas( tosse, espirro e deglutição)
Cerebelo: è responsavel pelo equilibrio, postura corporal,controle motor e sensorial. Possui substancia cinzenta e branca mais internamente.
Diencéfalo:  é formado pelo tálamo, hipotálamo, epitálamo e subtálamo. O hipotálamo é um dos principais responsáveis pela homeostase corporal e  regulação hormonal. Liga o sistema nervoso ao sistema endócrino, atuando na ativação de glândulas endocrinas. È pelo talámo que as mensagens sensoriais ( exceto o olfato) passam antes de chegar ao córtex cerebral. È uma região de substância cinzenta e é responsável pela retransmissão dos impulsos nervosos para o córtex cerebral.
Cérebro: è a porção principal do encefalo e do sistema nervoso. È formado por dois hemisferios cerebrais e sua camada mais superficial é chamada córtex cerebral.
-lobo frontal do cerebro: controle das emoções e agressividade
-lobo parietal: informações sensoriais envolvidas com sensações, como: calor, frio, pressao.
- lobo occipital:percepção da visão
- lobo temporal: percepção da audição
Córtex Cerebral: è constituido por massa cinzenta, que contém os corpos celulares dos neurônios. É responsável pelo pensamento, raciocínio, memória de longo prazo e nos processos de percepção sensorial.
É principalmente durante o segundo mês da gestação que o sistema nervoso central do feto é formado. As enzimas do feto são imaturas, ocorrendo um acúmulo do ácido graxo ,FAEE- fatty acid ethyl esters, substância produzida na metabolização do etanol, esse ácido graxo se acumularia nos tecidos do feto e ajudaria na má formação.
è Alteração de peso: Bebês que tiveram contato com álcool durante seu desenvolvimento gestacional pesam menos que os bebês que não tiveram contato. Essa diferença é de aproximadamente 1,5 kg.

è Efeitos Relacionados aos Álcool (ERA): Os sintomas são parecidos com o SFA mas crianças com ERA apresentam uma melhor performace nos teste de inteligência.  Atinge um número maior de crianças e seus efeitos são menos severos. O ERA é de 3 a 5 vezes mais frequênte que o SFA. Apresenta 3 formas:

1)    Parcial: Somente alterações faciais e comprometimentos neurológicos.
2)    Malformações Congênitas: A criança apresenta uma ou mais anomalias congênitas, como: renal, esquelética, cardíaca e auditiva.
3)    Desordem Neuropsicomotoras: Déficits na capacidade de aprendizado, principalmente aritmética e no desenvolvimento sócio-emocional.

Biologia – volume unico 3ªedição- Armênio Uzunian e Ernesto Birner

                                                                     Larissa Lopes Moreira






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